Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

O HOMEM BOM

 

Conheço esta família porque me meti na casa deles por acaso. Ia a voar e entrei por aquela janela daquela casa. Eles tinham várias casas. E também ficavam em hotéis quando faziam férias. Muitas vezes estavam em escritórios, lojas ou restaurantes. Inicialmente, metia-me dentro das malas ou dos sacos deles para ir também. Tinha curiosidade. Depois, já não queria ir a lado nenhum. Desejava voar para fora dali. Mas fecharam todas as janelas e meteram-me numa jaula de grilo com as rede mais apertada. Fiquei a vê-los, a ouvi-los e a pagar pelos pensamentos deles pelo tempo a mais que não desejava.

 

Esta família tinha um pai. Que era o chefe. Que, mais do que chefe, era o líder. Que, muito mais do que o líder, era um Santo. Que, por isso, era a própria família. Um homem bom. Muito melhor do que todos os homens. Assim se acreditava.

 

Um dia o Santo agradeceu a Deus por não ter um filho deficiente mental. Tinha dois muito saudáveis. Agradeceu a Deus. Sentia-se impregnado de um piedade oleosa por alguém que tinha um filho doente. Doente assim. Da cabeça. A criança nascera com trissomia 21. Um mongolóide , pois. O Santo tinha uma pena imensa. E, para tanto, bastava-lhe observar o riso apatetado do menino. Como que trespassado na alma por aquele olhar feito espada afiada, desviava o olhar dos seus olhos demasiado pequenos e estupidamente tortos. Como um santo se afasta do demónio, o Santo virou as costas ao menino e ao pai. Cheio de pena. Cheio de pavor. Agradeceu e pediu sempre a protecção divina. Em casa olhou para os filhos cheio de orgulho. Pleno de satisfação. Contente consigo. Com os frutos que podia dar. Feliz com o seu mérito.

 

Até que a adolescência de um filho do Santo lhe trouxe a esquizofrenia para dentro de casa. As portas fecharam-se. Foi o adolescente em dor que se trancou. O Santo queria entrar. Tirar o filho de lá. O filho não saia. Não respondia. Ouvia vozes. Falavam-lhe no centro da cabeça. Diziam-lhe coisas diferentes. Mostravam-lhe caminhos e outras vidas. Outras pessoas. O Santo falava. Insistia. Não acreditava. Acreditava, antes, em Deus, que não lhe podia fazer aquilo. Estava grato a Deus por o ter livrado de um filho doente mental. O Santo acreditava, como nenhum homem comum pode acreditar, que um filho é uma extensão de um pai. Uma continuidade física , psicológica e emocional. Portanto, um reflexo. O Santo via-se a si próprio fechado nas divisões das casas com as vozes a encherem-lhe a cabeça. A falarem-lhe de coisas que lhe tapavam os ouvidos e o enchiam de terror. A vida tomou-lhe outro aspecto. A dor acompanhou-o para sempre. Ao filho. Mas também ao pai. Porque era um santo.

 

O Santo lutou. Lutou contra a verdade. Arrastou o filho por todos os caminhos, batendo a todas as portas. Só entrou pela porta certa já no fim. Quando deixou de acreditar na bondade de Deus. E aceitou que tinha um doente mental dentro de casa. Perdeu a fé. Afastou-se do filho para que não os confundissem. Quebrou a fé com Deus e cortou os laços com o filho. Fez estas duas coisas ao mesmo tempo. Daí em diante passou a viver como um Santo órfão de filho e de Pai. E, numa conversa intima com Deus, revelou-Lhe que ainda guardava uma ínfima esperança de o filho que tivera voltar. Se assim fosse, estava disposto  conceder-Lhe de novo a sua fé. Porque o Santo está convencido de que Deus não pode existir sem a fé dos homens e muito menos sem a fé dos santos, que é de mais elevada qualidade.

 

Tinha, então, obrigações perante aquele novo ser que chegara. O seu filho morrera. Vinha alguém em seu lugar. Uma cabala divina. Uma traição de Deus. Todos os dias chorava a perda do filho e no, entanto, era preciso cuidar para que um dia, quando não houvesse quem cuidasse do doido, ele não morresse de fome, de sede ou de frio. Isto é o dever de um Santo porque só um santo pode acarretar tamanha proeza de alma. Além de que a verdade é todos exigem isto de um Santo. O Santo não pode desiludir ninguém quanto à sua santidade. 

 

Encheu-se de ambição e de espírito de sacrifício. Trabalhou até ser rico. Não esperava tanto. Pôde descansar sobre o dever cumprido, usufruindo dos luxos que o dinheiro pode comprar. Em nome do filho que teve um dia, adquiriu para o débil mental um seguro de vida cujo propósito é assegurar-lhe um futuro livre de miséria. E, de vez em quando, vai  olhando  para ele, para o filho que já não tem, para a carcaça viva do filho morto, com ressentimento. Mostra-lhe com o olhar o sentido do peso que é a tarefa que este lhe veio entregar. Como tudo é injusto. 

 

Leva-o ao médico, dá-lhe os remédios, paga-lhe tudo o que o dinheiro pode pagar, dentro dos limites do que se exige a um Santo. Nada mais lhe deve porque isto é tudo o que se pode dar ao demónio que entra pela casa de um homem bom. O Santo é tão santamente bom, que alimenta demónios dentro da sua própria casa. E, por fim, como tem uma fé inabalável em si próprio, acredita que o filho um dia ainda há-de voltar.

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BRINCAR COM BONECOS

 

http://www.incl.saude.gov.br/incl/noticias/not_incl.asp

 

O Hospital de S. José causava-me terror. Hoje nada. Porém, durante muitos anos, foi mesmo assim. Como uma fobia profunda.

 

Quando o meu irmão tinha três anos, e eu sete, lancei-o de um muro alto para o chão, imaginando que podia manejá-lo como um boneco. Senti-lo apenas como um boneco. Tratá-lo tal qual um simples boneco. Desprezava-o. Peguei nele como pude e empurrei-o. Esperava que, lá em baixo, uma amiguinha minha de brincar o conseguisse apanhar. Era só para ver se ela conseguia. Se não conseguisse... bom, logo se via. Mas que perdia o jogo, oh! sim, isso perdia!

 

Ele, o inútil menino pequenino, chorava, tentava escapar. Mas não conseguiu. Fui obrigada a actuar depressa, com uma certa precipitação. Ele não parava quieto! Tive que o empurrar sem muito jeito. Eu que queria calcular tudo muito bem! Não gostava de falhar. Nem nas brincadeiras. Aliás, naqueles tempos, muito menos nas brincadeiras. Brincar é a profissão das crianças, enquanto que a disciplina dos crescidos é um estímulo intelectual básico correspondente. As regras são para quebrar sem que o adulto perceba. Cada castigo merece uma vingança. O chamado disparate. Que virá.

 

O meu irmão espatifou-se lá em baixo. Considerei imediatamente a menina uma incompetente. Mas, principalmente, considerei que, grande parte da culpa, era dele. Desci do muro. Olhei para com pena de não o poder molestar muito. Chorava caído no chão. Gostaria de lhe poder bater. Mas, evidentemente, não podia. Era pena.

 

Chorava de um modo muito sério. Incomodava-me francamente. Talvez o meu maior problema fosse a solidariedade que ele solicitava com aquele choro agoniante. E eu é que era a irmã dele! E, na verdade, tinha tanto respeito por ele como qualquer fedelho por uma bola ou por um pião.

 

A certa altura só queria que ele se calasse. Mais nada. Já nem lhe queria bater. Nem mesmo censurá-lo. Devia parar de chorar e levantar-se. Era tudo. Talvez me sentisse um bocadinho arrependida. Embora, talvez, não sentisse exactamente pena. Preocupava-me ter que o levar para casa. O que dizer à mãe. O problema era que, se fosse, não voltaria certamente a sair. E eu não queria. Desejava continuar por ali a brincar. Mais do que tudo, no momento. Que contrariedade! Desprezei-o intimamente. Novamente.

 

Impaciente, levantei-o do chão para ver se se punha bom. Mas não. Queixava-se muito do braço. Não parava com aquele choro embirrante! Levei-o à mãe. Sem remédio. Quando o entreguei, menti  sobre tudo. Ela, por seu lado, estava cheia de raiva não sei de quê - as crianças habituam-se a ver a raiva dos adultos sem  a questionarem muito. Não lhes interessa as razões que nunca vão compreender. Os míudos, nestas circunstâncias, só pôr-se ao largo. Assim fiz.

 

Foi assim que assisti ao espectáculo inacreditável de ver a minha mãe bater no braço doente do meu irmão. Nem eu teria coragem de chegar a tanto. Achei que o fez por causa das minhas mentiras. Embora soubesse, igualmente, que ela tinha era raiva sem motivo aceitável  e que o choro dele a desesperava ainda mais. Ele ficou abandonado num canto da casa a chorar. Até que o meu pai chegou. Não sei como, não sei porquê, mas foi decidido que o pai o levaria ao hospital.

 

Fiquei muito excitada com a ideia. Coisa séria. Assunto de urgência hospitalar. Eis uma oportunidade de aventura inesperada. Desejei ardentemente acompanhar o pai. Não! Foi a palavra de ordem. Sim porque sim. Insisti e insisti. Queimei a paciência que restava a todos. Tiveram que me deixar ir. Eu e o pai fomos levar o menino doentinho. Agradeci intimamente ao menino.

 

Já dentro do Hospital de S. José, o pai deixou-me sentadinha num sítio de passagem e desapareceu com o meu irmão. Achei boa ideia ficar ali. Estava à vontade para beber das novidades que surgissem. Percebia-se que era um lugar animado. Cheio de gente em movimento e muitas coisas a girar. Atinei a capacidade de observação.

 

Passavam consecutivamente macas. As pessoas que iam nelas pareceram-me mortas ou para morrer. Os que as empurravam sorriam ou falavam para os lados. Conclui que ali se tratava da morte, não da vida. Pensei no meu irmãozinho pequenino.  A ser tratado da morte. Por minha causa.

 

Não estava morto. Talvez não fosse morrer. Pensei. No entanto, acreditei que ele, enquanto doente naquele sítio para doentes graves, mesmo que voltasse vivo pela mão do pai, tinha atravessado um processo de morte. Porque naquele lugar era assim. Naquela altura, creio que pensei na morte dele, que podia ser notícia,  como um acontecimento natural. Não me causaria um desgosto imenso. Antes, eventualmente, alívio. Foi o que pensei.

 

Finalmente, regressaram. Ele e o pai. Vinha vivo depois de estar morto. Apenas com um braço engessado. Gostei de sair daquele hospital. Apenas. Uns dias depois, o medo do Hospital de S. José começou a tomar forma. Só falava do que por lá vi. Estava sempre a falar. E à custa de tanto falar das macas, dos mortos, dos vivos-mortos, dos que sofriam e dos que gozavam lá dentro a empurrar as macas ou a dar remédios, a culpa pela forma como tratei e não sabia que amava o meu irmãozinho tomou-me, transformando-se na fobia do Hospital de S. José.

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

JOÃO

http://likeasummerrose.wordpress.com/2007/07/10/dia-de-sol/

 

O meu nome é João. Sei apenas que nasci. Sei, também, que aconteceu na maternidade Alfredo da Costa. A mim e à maior parte dos nascituros de Lisboa. Sou, inclusivamente, amigo de alguém que passou pelo mesmo, no mesmo dia, mas não à mesma hora. Ali na Alfredo da Costa. É verdade, somos amigos desde a escola preparatória. Conhecemo-nos e soubemos da coincidência. Ele gosta de mim. E também gosta de mim de um modo diferente do que eu gosto dele. Apenas porque se importa com isso do dia de nascimento. De termos nascido no mesmo dia.  Por  mim, não sei bem o que pensar sobre esta exacta questão. Não penso assim.

 

Não me lembro da maternidade Alfredo da Costa em relação a mim. Apenas tenho vagas memórias sobre as duas ou três vezes em que tenho consciência que lá estive. Uma delas foi para acompanhar a mãe de visita à "senhora lá de cima", que foi ter um bebé. Eventualmente, nas outras ocasiões fui lá ver a minha própria mãe, que também foi ter um bebé. Infelizmente, depois de mim, a mãe teve mais filhos.

 

Estou certo de que não  gostei de ter mais irmãos. Como hoje não gostaria que um estranho me entrasse em casa sem autorização. Como um colega de trabalho me levasse o carro só para ver quanto dá em autoestrada. Como se, dos vinte cigarros que fumo por dia, que são meus, dez fossem para deitar fora sem qualquer motivo aparente. Não sei se esse desgosto foi imediato ou se surgiu quando o organismo como que me pediu mais nicotina. A que já lhe vinha faltando.

 

Dos hospitais da minha infância recordo o da Estefânia. A impressão que tenho é que foi neste que nasci. É o que a memória me indica, e está errado - basta olhar para o meu bilhete de identidade. Mas sei que fui atropelado por um carro. Levaram-me para lá porque era criança. Sei muito bem que estive lá deitado numa maca. Fui muito bem tratado. Com sorrisos e permissões. Com a excepção de não me poder levantar da maca. Mas também não queria.

 

O pai e a mãe estiveram sempre ao meu lado. É assim que me lembro. E pode não ter sido assim. Mas o que importa é o que eu lembro. Lembro, como se fosse agora,  nos nervos dos meus dez dedos das minhas duas mãos o momento em que não lhes larguei os tecidos porque os mandaram para casa. Eu ia lá ficar pelo menos uma noite em observação. Recordo o pânico na força tenaz dos meus pequenos braços a tremer. Não sei exactamente porque razão não podia absolutamente ficar ali. Lembro-me que sem eles Não! Gritei, por isso, todo o choro que tinha para expressar. O meu medo causou o talvez receio na medida certa para eu sair. Deram-me alta nestes termos.

 

Recordo a caixa dos bolos de pastelaria. Não vi a bola de Berlim, mas é provável que lá estivesse no meio dos outros. Eram vários. E todos para mim. Foi a mãe quem foi comprar de propósito. Deu-mos como a restituir os dez cigarros que há muito me faltavam, e nunca deixei de sentir falta. Perguntei se podia fumá-los realmente. Sim. Eram todos para mim. É bom ser atropelado.

 

Muito mais tarde, contaram-me que fora um bebé de colo muito doente em certos períodos . Que fui para o hospital da Estefânia muito mal, muitas vezes, nos braços apertados de aflição da mãe. Em perigo de vida. Senti-me muito gratificado retroactivamente. Senti saudades dos braços apertados da mãe que não me lembro de jamais ter sentido. Se a memória se alimenta e cresce das emoções, talvez eu me lembre disso tudo e perceba porque continuo a sentir que nasci ali, no hospital da Estefânia.

 

Um dia, não sei de que parte importante da semana, o pai e a mãe entregaram-me aos cuidados de um jovem adulto muito simpático. Era dono de uma pequena oficina de fazer coisas que não eram carros. Penso que era o seu hobby. Tinha uma mesa grande de madeira, um torno, serrotes, pregos e outras coisas assim giras de brincar.

 

Este dia aconteceu muito antes de ter sido atropelado e muito depois de ter morrido nos braços apertados da mãe ao colo dela. Como se deveria morrer. Talvez eu gostasse dele e da oficina dele. Com toda a certeza, os meus pais gostavam dele. Eu já tinha brincado naquela oficina. Sempre com poucas liberdades. Sempre com alguém por perto e com uma ou outra criança por companhia. Talvez. Imagino que sim. Não tinha idade para hoje me lembrar.

 

Vejo sem ver o pai e a mãe a descer a estrada a pé. Lado a lado, como de costume. Mas não acredito que dessem as mãos. Talvez fossem a falar. Já alheados de mim. Eu berro um choro que me leva a alma pela boca. Não sei o que ele faz. A minha cabeça não é mais alta do que a cintura dele. Não me lembro. Não me lembro. Mas acho que ele mostrou o pénis dele. Hoje sei que se chama assim. Mostrou-mo. A mim que não queria ver nada. Que não vi nada. Que ceguei naquela enxurrada de lágrimas que me encheu os olhos, me molhou a cara e a boca e as palmas e as costas das mãos pequeninas.

 

O pai e a mãe continuavam a andar, descendo a estrada solitária, mas segura. Iam seguros. Calmos. A falar da vida de um modo. Certamente, a pensar da vida de outro. Não pensavam em mim. Não falavam de mim. Não sei nada disto, mas sei. Soube ali, naquele momento, porque os vi a andar para lá. Para lá de mim. E eu ali. Apesar de não ter visto. Compreendi que já não vinham. Não voltariam atrás. E eu precisva tanto! No meu primeiro momento de vida em que perdi completamente a esperança. Se eles voltassem porque me sentiam a vida, tudo tinha sido diferente. Assim, antes pelo contrário, conheci o meu primeiro ataque de pânico.

 

O pânico ataca por poucos minutos. Provavelmente, nem um minuto ou dois. O corpo não permite mais. Quedei-me, então, calado, trémulo, espantado, confuso  e... curioso. Confusão! Senti a confusão a desequilibrar-me, ficando, no entanto, de pé. Não sei o que aconteceu do mau que foi. Talvez lhe tenha tocado no sexo porque ele mandou. Talvez, quando lhe toquei uma fantasia qualquer me tenha tocado a mim. Talvez, então, nessa fracção de segundo em que a fantasia curiosa ocorreu, eu lhe tenha tocado por voluntariedade. E o ódio de mim pesou-me em cima, esmagando-me. Sei isto. Embora não me lembre. Mas sei.

 

Eu disse que ia dizer ao pai. Ele disse que ia dizer ao pai. Eu acreditei que a culpa era minha. Tive vergonha do pai. Tive medo do pai. Tive medo que ele contasse ao pai. Mas não queria. Não queria. Se eu fosse contar ao pai, ele é que ia contar ao pai e não me deixava mais entrar na oficina. Não sei era muito importante poder ir para ali brincar. Importante era que não se soubesse porque não poderia ir mais para ali. Tinha que continuar a querer ir brincar ali na oficina e não querer voltar lá mais. 

 

O que terá acontecido depois do que aconteceu? Fiquei a brincar pelas horas que se seguiram até o pai voltar? Com medo que o pai voltasse porque, além do mais, tinha muita vergonha? Tenho a impressão que sim. Que brinquei humilhado com objectos e com pedaços de objectos. Humilhado na liberdade de mexer onde queria, brincar com o que queria. Como nunca pudera antes. Senti que recebia um prémio de consolação. Por ter perdido tudo. Aceitei grato. Morri um bocadinho, sendo eu tão pequenino. E eu nem sabia o que era perder tudo aquilo que sentia que perdia ali naquele momento. Perdia. E ganhava o poder de mexer onde queria. Brincar como queria naquela oficina. Como, acredito, sempre quis.

 

Mas, estou certo, a verdade era outra. A verdade é que eu não queria brincar. A verdade é que eu precisava de manejar aqueles objectos, daquele modo aleatório, para me distrair. Distraído, acalmei-me. Por isso brinquei mais. Cada vez mais concentrado. E os músculos do meu corpo distenderam-se com o passar dos minutos. Totalmente. Restou a angústia calada, calma. A primeira dor.  Não aconteceu mais nada. E tudo o que aconteceu foi tudo para mim. Para sempre.

 

Gostava de ter outro nome.

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